4.12.11

Quilt

As palavras não ditas são como meros pedaços de tecido, prontos para se transformarem nas mais belas obras de arte. Elas estão ali, empilhadas num cesto de restos, aguardando um olhar mais atento e sensível que vislumbre as possibilidades que elas carregam dentro de si. Escrever um poema, por exemplo, funciona mais ou menos como confeccionar uma colcha de retalhos. O costureiro - ou artesão, melhor dizendo - reúne estas sobras de tecido que estavam amarrotadas dentro daquele cesto de refugos, escolhe as que mais combinam entre si, de uma forma ou de outra, idealiza um padrão, monta um esquema e pronto - é só costurar os pedacinhos e ver nascer, aos poucos, um cobertor inusitado, único, repleto de personalidade. Tudo o que você precisa é ter à sua disposição alguns humildes retalhos. Na verdade, nem importa de que tecido eles são compostos, se são dos mais requintados ou dos mais singelos, seu valor será medido pelo resultado final de sua união, da harmonia e do casamento de suas cores. Cabe ao artesão, àquele que costura estes pedacinhos, transformá-los em algo mágico. Igualmente, está nas mãos de quem escreve o poder de criar universos e mudar o mundo. Caso contrário, qualquer pessoa alfabetizada seria capaz de escrever belíssimas poesias, romances clássicos, idealizar personagens e nos transportar para realidades jamais vistas. Bastava somente ter um dicionário e instrumentos para escrever. Mas não funciona assim...
Os verdadeiros poetas e escritores têm em sua alma habilidosas agulhas e costuram as palavras como se fossem vestidos de gala...

1.12.11

Semicírculo

Eu adoro quando este sublime satélite dá o ar de sua divina graça assim, de lado, tímida e displicente, com um charme cósmico, como se esboçasse um sorriso, largo, gostoso, espontâneo, uma gargalhada de Deus que se abre nas nuvens, um aceno despretensioso.
É um espetáculo semicircular, um botão de prata que desabrocha no céu dos distraídos...