8.11.11

Aconchego

Te observar assim, tão de perto, é uma benção, um deleite raro, é o momento pelo qual aguardo ansiosamente sempre que nos despedimos. É a recompensa após a ausência, um momento mágico.
Os traços do seu rosto, tão serenos, sua boca, seu peito aconchegante, deslizar a minha pele ao seu lado, admirar sua existência como se eu fosse capaz de enxergar o que não se vê a olhos nus, o que não se pode tocar. Tudo o que você é, personificado nestes olhos que me questionam por trás das lentes, nos lábios que sorriem em silêncio, nas mãos que me fervem o sangue.
Me aproximo, faço de seus braços o mais sublime dos travesseiros, me entrego ao sobe e desce da sua respiração. A vida se torna certa e quente e confortável... Suas mãos passeiam pelos cachos desfeitos dos meus cabelos e, naquele instante, somos apenas nós, invadindo todos os milímetros um do outro.

E então eu acordo para encarar o mundo, mas poucas coisas conseguem elevar meu espírito como estes momentos, que guardo tão ternamente e eternamente, gravados nas minhas retinas e no meu coração. Aconchego. Estou em casa...

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