O asfalto se deita sob meus pés
As casas protegem o meu pensamento das interferências como se fossem sentinelas, guardando as vias por onde ouso lançar os meus devaneios.
Passo a passo, cada pedaço de chão é açoitado com violência.
Enquanto corro, os carros voam, cortando o concreto com maciez e força
tudo se funde lá no horizonte, e meu caminhar parece uma prosa sem palavras.
É mudo, abafado, e a música que toca em meus ouvidos ensurdece o rolar das pedras que se perdem ao longo dos metros.
Pequenas e sutis listras brancas se movem nesta esteira rolante que chamam de rua.
Sem pressa de chegar a lugar algum,
eu corro, e os ciclistas navegam.
E enquanto o vento corta a minha pele ruborizada de suor
eu fujo para dentro de mim mesma, mergulhando nas ondas do mar de concreto...
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