A penumbra entre as árvores daquele bosque despertou o silêncio, há muito tempo adormecido dentro do meu coração. A música que tocou no espaço imenso que se formava dentro de mim calou seus acordes pesados. Fez-se a calma, o leve bater das asas dos pássaros que ali moravam. A densa neblina barulhenta, opressiva, se dissipou com o vento. Tudo parou de ressoar. Ficou o eco, estranho e vazio. Mas a luz, cintilante, penetrou por entre as folhas e tocou docemente os meus olhos que, por fim, se abriram. O silêncio, antes temido e assustador, tornou-se confortante. Trouxe alegria, carinho e aconchego.
Hoje passeio por este bosque, pois sei que é este o meu abrigo. Esperado, como a noite de descanso após uma longa jornada. Estou aqui, contemplando a meia luz, mais brilhante que um dia de sol de verão.
(ilustração e inspiração -
André Braga)
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