Não sou muito da praia, mas sempre tive uma paixão intensa pelo mar. Essa coisa que não é coisa, coletivo singular, mundo todo especial e cheio de mistérios. O mar, os sete mares, todos eles, me encantam, fascinam, sugam meus olhos. Quando você olha para essa imensidão ondulada, o que você vê? É impossível não pensar naqueles filmes de sereia, nos tesouros escondidos, nos seres míticos e fantásticos que o habitam, ainda que somente em nossa imaginação. Pois bem, sinto falta deste azul, às vezes cinza, verde, opaco, revolto, calmo e tranquilo. As metáforas que ele desperta são incontáveis, mas há uma que me agrada em particular - " a vida é como o mar". Há os momentos tempestuosos, de ressaca e braveza, momentos de calmaria, de escuridão, de força devastadora, como numa tsunami, e de leveza e suavidade, como quando um pequeno barco a velas desliza sobre seu manto em direção ao horizonte. Em todos estes momentos, nossa água é quase a mesma, é nossa essência, que nos compõe. Incrível como tanta água fica ali, em movimento, e não transborda os limites, sabe se controlar. As leis da física que regem esta maravilhosa e imensa porção de água, são tão perfeitas, o equilíbrio é tão sublime, que eu olho para o mar e desejo ser assim, complexa, porém controlada. Ainda que eu tenha algumas ondas gigantes e quebre na praia com menos leveza algumas vezes... Para o mar, é natural se conter, literalmente "segurar a onda".
Na verdade eu não sei por que estou escrevendo tudo isso. Eu olhei essa imagem, pensei num texto completamente diferente, que lembrasse esta quase imersão em que me encontro, em coisas boas e sentimentos belos, mas no meio do pensamento eu vi a praia de Santos. E lembrei o quanto estou com saudades do cheiro da praia, de enterrar os pés na areia, ver um por do sol cintilando no prateado do oceano, sentir a brisa do fim da tarde ou do amanhecer... Eu queria ter elaborado algo mais criativo, belo, poético, digno do mar. Mas acho que, no fim das contas, eu acabo perdendo as palavras, tropeçando nas teclas, esquecendo como se escreve o que minha alma tem a dizer. Essa vida é toda uma metáfora, e eu escolho como mais bela a do berço de Afrodite.
Eu tenho o mar no meu nome e essa paixão não deve ser por acaso...

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