28.8.11

Confissões de uma leitora preguiçosa

Estou rodeada por fantasmas literários que não param de me assombrar. Saramago, Borges, Joyce, Tchekhov, Poe, Bandeira, Drummond, Clarice, Woolf... Todos eles empilhados, enfileirados, fazendo companhia uns aos outros no escuro da minha estante, fadados à solidão das páginas amareladas. Com suas capas ornamentadas, por vezes lançam seu olhar de reprovação, outras vezes me olham com piedade. Eu os toco todos os dias e ouso jurar que amanhã abrirei os meus olhos para suas belas palavras. Mas esse amanhã se transforma em ontem e eles continuam lá, solitários, abandonados, cheios de ácaros, literalmente jogados às traças. Eu os admiro com orgulho, satisfação, como se fosse suficiente tê-los ali, servindo de enfeite, ocupando espaço somente fora de mim.

Não, isso não basta, eu quero as palavras eternizadas em meu coração. O sussurro dos grandes, ilustres e até mesmo dos imperfeitos fantasmas ecoando em minha mente. A emoção de encontrar em suas linhas reconhecimento, conforto, diversão, palavras amigas, conhecimento.... Eu costumava andar com livros pra cima e pra baixo.... Será que estou me tornando insensível, quadrada ou apenas preguiçosa demais para os livros que me aguardam ansiosamente? Ou será que a minha agitação-ansiedade não me permite mais ficar parada e curtir uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida?

Um livro por mês, será que eu consigo?

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